segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Com saudades das minhas almas gémeas




Óscares, os mais bem vestidos*

 *just kidding.

O facto de Alejandro G. Iñárritu ter ganho o óscar de melhor realizador, e de Spotlight ter ganho o melhor filme no mesmo ano, é uma contradição abismal da academia. Se por um lado, temos a confirmação que vivemos na era do cinema em que o show-off é tudo, por outro lado, temos a lembrança de que o conteúdo ainda é o que conta.
Resumindo, fico feliz por Spotlight ter levado a estatueta maior.

(E a menina que tanto me cativou em The Danish Girl também ganhou. Eu devia ser olheira de actores, pá.)
 

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Bem dizia o outro, viver todos os dias cansa

Gosto cada vez mais da ideia de viver um pouco à margem da sociedade. Não quero dizer ser marginalizada, ou excluída. Mas ser selectiva naquilo que eu deixo vir até mim e naquilo que me interessa saber. Fazer a minha cena. Gosto do tempo e da era em que vivemos, mas é um tempo cansativo para se viver. Se não fizermos intervalos, de vez em quando, de todo este excesso de informação em que estamos inundados, damos em malucos. É preciso parar de vez em quando e fazer o que interessa, viver.

Não, não me interessa saber quem ganhou aquele prémio, ou ouvir a nova música da Adele, também não me interessa saber mais uma opinião de não-sei-quem sobre o caso que está na moda esta semana. Prefiro rabiscar este papel, ou ir ler aquele livro de há cem anos atrás, ou ir assar umas castanhas.

Interessa-me saber o que se passa no mundo, mas não quero saber de tudo o que se passa. Ainda vou acabar sufocada. Parem de trazer até mim informação que não me serve para nada. Mesmo sem andar atrás, leva-se com tudo na cara. É preciso sair dos circuitos habituais, fazer quase o jogo do gato e o rato. Criar um cantinho à margem do mundo. Para que no fim, ainda possa sobrar um pouquinho de espaço na nossa alma para podermos viver e criar, para enfim, sermos pessoas, indivíduos. Sejamos selectivos. A vida é feita de escolhas. Não temos que papar tudo. Nem devemos.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Poesia para os meus ouvidos num dia frio de Fevereiro


Não faz muito sentido
Já não esperar o melhor
Vem da névoa saindo
A promessa anterior

Quando avistei
Ao longe o mar
Ali fiquei
Parada a olhar

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Coisas que me deixam feliz



O regresso de "Girls", para a sua quinta temporada.
Já aqui falei desta série mais do que uma vez. Porque é mesmo uma das minhas favoritas de sempre. Descobrir esta série - e descobrir a Lena Dunham, a minha alma gémea televisiva - foi algo que enriqueceu a minha vida.
Esta é a penúltima temporada, e mesmo sabendo que ainda teremos mais no próximo ano, já estou a sentir aquela nostalgia, de quem passou pelo vintes ao mesmo tempo que as personagens, e os deixará com elas também.




Dance like no one is watching.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

R.I.P Beatlemania

You either die a hero or you live long enough to see yourself snubbed from a lame VIP party.


quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Feliz Dia mundial do Gato!



 Para o Teófilo Bonifácio, é dia do gato todos os dias. O rei e senhor da casa.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Lagartixas, lagartixas

Então parece que os adeptos do Sporting (de Lisboa) foram eleitos os melhores adeptos da Europa, numa votação em que os próprios votaram nos próprios - MEGA LOL, como diz a juventude -, com uma discrepância tal no número de votos da primeira para as restantes posições, que isto só vem provar a falta de vida própria, auto-confiança e títulos mais importantes dos ditos adeptos.
E uma votação em que os do próprio clube não possam votar, já pensaram nisso?
Sendo eu portista, eis a minha opinião: Os melhores adeptos em Portugal são os do Benfica. O clube pode estar todo partido, mas eles ainda o apoiam como a melhor coisa do mundo. E não se remetem ao silêncio (anos de estado vegetativo) como os adeptos lagartos, quando as coisas não lhes correm de feição. Não vamos mais longe, até os boavisteiros, cujo clube luta para se manter na liga principal, têm mostrado o que é ser adepto de verdade .
Já os lagartos que eu conheço, falavam em mudar de clube, não há muito tempo, quando o 3º ou 4º lugar não lhes chegava para ser adeptos. Stay classy, Sporting. 

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Dias da Rádio


Deixo aqui a sugestão de um dos meus filmes favoritos. Radio Days, de Woody Allen, lançado em 1987, com certeza. Um filme que nos leva até Nova Iorque dos anos 40, à infância e juventude do protagonista, contando a história da sua família durante a época de ouro da rádio, antes do aparecimento da televisão.

Feliz dia da Rádio!


Menina da rádio, para sempre.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Parvoíces televisivas

O Miguel Esteves Cardoso irrita-se com o "Portuguesas e Portugueses" dos discursos, e explica os seus motivos. No entanto para mim, há outra moda que me aflige já lá vão uns anos, mas parece que estou sozinha.  Irrita-me extremamente que em televisão se dirijam à audiência como "os portugueses". Isto acontece, claro, em programas de entretenimento, concursos de talento, reality show... "os portugueses estão a ver", "os portugueses querem", "os portugueses decidiram". NÃO. São os telespectadores, somente e apenas. Tal como na rádio, onde correctamente, se dirigem aos ouvintes. Pois que não são só portugueses a ver televisão portuguesa e há muitos portugueses que não se incluem nesses números. E há quem não veja televisão.
É de um incrível mau gosto. Digam-me que não estou sozinha.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

A modelo negra que era negra demais


Estando a viver em Londres, cruzei-me com todo o tipo de pessoas, naquela que é definitivamente uma sociedade aberta com uma grande representatividade multi-racial. Mas mesmo neste "mundo" ocidental desenvolvido, acaba por se conhecer uma ou outra pessoa, minimamente formada e criada na Europa moderna, com um grande preconceito contra a pele mais escura. Chamando os bois pelos nomes, mostram mesmo nojo contra a pele mais escura. Curiosamente, antes de viver neste ambiente multi-cultural, eu pensava que havia menos racismo no mundo. Pode-se dizer que eu era ingénua, mas os media faziam-me ter essa visão. E faz-me pensar que a Europa politicamente correcta do pós-colonialismo, pós-escravatura, pós-guerra, pós-holocausto, não passa de uma manobra de marketing. Os anúncios publicitários ingleses, em que os casais são sempre inter-raciais, o que estão a querer provar? Se dentro de muitas casas isso não é ainda considerado normal. O Brasil, fundado por Europeus e Africanos, e que pelos vistos, ainda não obedece ao marketing inter-racial, é sem dúvida o lugar ideal para fazermos uma análise antropológica ao racismo. O que é que, nesta sociedade de hoje, ainda leva as pessoas a odiar a pele escura, ou, mais caricato ainda, a fingir que odeiam?

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Só falta dizer que a Europa devia ser submissa ao seu marido

A Angela Merkel ficou irritada com o Papa por ter comparado a Europa a uma "mulher estéril". Falando da personagem bíblica Sara, mulher de Abraão, que vá lá, por obra e graça ainda teve um filho aos 90 anos, senão teria morrido uma inútil, coitada.
Ok, já sabemos que o Papa, sendo quem é, irá sempre buscar metáforas à bíblia, e já sabemos que só podemos esperar disto. Mas desta vez, estou do lado da Merkel, e acho que fez muito bem. Eu também lhe teria batido o pé. São tempos de mudança, dizem, mas uma pessoa ainda tem que ter o bullshit detector bem ligado.

O César Mourão não tem mesmo piadinha nenhuma. Não tem. Mesmo. De todo.

É só para ficar esclarecido, porque acho que há pessoas neste país que têm um problema na vista, nomeadamente aquele em que custa ver o óbvio.
Mas em terra de cegos, quem tem olho é rei, não é mesmo, César Mourão? Seu malandro. Já não bastava teres acabado com a minha alegria em ouvir a Rádio Comercial, agora também apareces no Porta dos Fundos com toda a tua (des)graça. 



Pois isto é tudo muito bonito e engraçado mas o César Mourão está a falar beirão e não transmontano. O sketch tem piada, e sim, sei que isto sou só eu a embirrar com um pequeno detalhe, mas que vem reforçar um facto. Além de ser um dos piores comediantes do nosso país (daquela classe que acha que isto é só vestir de mulher e fazer sotaquezinhos), tem também o bónus de ser um lisboeta centralista e ignóbil... Sempre a marcar, Mourão. Fake it until you make it.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

E o prémio "cabeça no ar" vai para...

 MIM! Quando não reparei que troquei o nome dos ficheiros ao guardar no computador, e basicamente andei a enviar um currículo escrito em Português e Inglês.


domingo, 7 de fevereiro de 2016

Porque esta vida são dois dias e o Carnaval são três

Domingo gordo, e à boa maneira transmontana, comemos o butelo e as casulas. A tarde foi para cantar fado com a família, e um cházinho de fiolho para desintoxicar. E mais disto até terça. Ai pois que ainda faltam os chouriços e as alheiras, e os crepes que também gostamos de fazer nesta altura. Ai senhores. Que a vida é mesmo bela.


quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

O Codex.. nope

Ontem pus-me a ler pela primeira vez, um livro do José Rodrigues dos Santos (O Codex 632). Como pôr isto?



Eu não gosto muito de elitismos (não gosto muito? não gosto nada) e acho que o que é importante mesmo é que as pessoas tenham hábitos de leitura, mesmo se a leitura for fraquinha. Tenho uns quantos livros leves que releria uma e outra vez. [Releria? Foi a primeira vez que utilizei esta conjugação, até me deu um arrepio.] E não é que eu estivesse à espera de muito, mas valha-me Santo Agostinho! Não é a obra em si, mas o estilo de escrita. Uma falta de sensibilidade estética na narração, o uso excessivo de adjectivação, os lugares-comuns a puxar para a parolice. Simplesmente, não é a minha onda. Mas por outro lado, consigo ver a história a funcionar muito bem em televisão, a fazer concorrência às novelas. Já funcionou bem nas vendas, pelos vistos. Estava a pensar que ia ter JRS para uma temporada, mas acho que este será o primeiro e o último. O lado positivo disto é que se torna num daqueles calhamaços que se despacha em três dias.
Ironicamente isto vem no mesmo dia em que lhe foi atribuído um prémio qualquer de melhor escritor português. Say what? Deve ser mesmo aquele tipo prémio qualquer a que ninguém liga nenhuma.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Mudanças

É verdade. Não me sinto de cá. Mas também, nunca me senti de cá. Aliás, tecnicamente, não sou de cá. Tecnicamente não sou de nenhum lugar. Quando acabei o ensino secundário estava desejosa para me "pôr a andar", e foi isso que fiz. E basicamente, foi quando a minha vida começou. Mas antes, isso afectava-me, achava-me a ovelha negra do rebanho. Hoje é algo que encaro como uma coisa boa. Talvez porque país abaixo e Europa acima encontrei pessoas como eu, e afinal não há nada de errado comigo. Sou diferente, penso diferente. Não sou menos nem sou mais. Sou como sou.