sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Cycle-friendly London, I believe in you!

A coisa está bem complicada de momento para a cycle-friendly Londres de Boris Johnson. Depois da morte de seis ciclistas no espaço de duas semanas neste mês de Novembro, a questão que se impõe é, estão as estradas de Londres preparadas e as pessoas devidamente educadas para as partilhar com os respectivos veículos?
Devo dizer que nesta cidade, quem não anda numa bicicleta nutre pouca simpatia por quem o faz, isto por falha desses mesmos em cumprir o código da estrada e respeitar os sinais de trânsito, uso indevido dos passeios, etc. Claro que serão poucos a fazê-lo, mas como se diz, paga o justo pelo pecador. Em Londres cada vez mais gente usa a bicicleta como um meio de transporte, razões muitas. É mais barato, cada vez existem mais ciclovias pela cidade, cada vez mais pontos com Boris bikes e até superhighways estão a ser feitas para os ciclistas.
Os acidentes mais graves, e aqueles que acontecem em maior número, são colisões entre ciclistas e autocarros e camionetas, aliás, cinco destes seis casos mortais aconteceram assim. Há de facto uma quezília ente bus drivers e ciclistas. O meu housemate que usa a bicicleta todos os dias sempre chega a casa com uma nova estória.
A primeira vez que ele me abordou quanto ao assunto:
"- Did I tell you about my fight today with a bus driver?
- Were you on a bike?
- Yes...
- So I'm sorry but he should've been right."
Bem, isto foi mais género de piada para o atazanar e rapidamente pedi desculpa e lá o ouvi a contar a sua versão dos factos.
Mas a verdade é que muitas vezes são os próprios ciclistas a colocarem-se na linha de fogo (o mayor Boris insinuou qualquer coisa do género e atiraram-se logo a ele), e o facto de ter um veículo leve como a bicicleta não segnifica que podem voar ou enfiar-se em qualquer buraco. Uma vez vi um caso destes bem de perto. Ia num autocarro bem perto do condutor que embateu contra uma ciclista que estava a atravessar a passadeira no sinal vermelho. Ela ficou inteira, já a bicicleta... Logo se levantou para mandar vir com o condutor, ele respondeu de volta, fechou a porta e arrancou. E pronto, casos assim acontecem todos os dias até as consequências se tornarem mais graves. Como de facto se tornaram tão graves neste último mês que várias medidas já estão a ser tomadas. É possível ver nos semáforos dos cruzamentos mais movimentados sinais com letras gordas CYCLISTS STOP AT RED LIGHT, nos autocarros, quando as paragens são junto a ciclovias, um aviso sonoro passa para as pessoas tomarem atenção ao sair do autocarro (sim, ciclistas a atropelarem peões também é comum), e a partir desta semana 2500 polícias patrulham cruzamentos e rotundas na operação Safeway para consciencializar ciclistas e não só quanto à segurança na estrada. Não sei se parte da operação ou não, hoje enquanto caminhava desde o metro até casa vi dois ciclistas a serem multados, quiçá por não respeirarem os sinais ou uso indevido do espaço para os peões num passeio com ciclovia, suponho. Isto está bonito, está.
Eu bem gostava de poder utilizar uma bicicleta como meio de transporte. Fazia-me bem a tudo, inclusive à carteira. Consigo-me imaginar a fazê-lo nos numa cidade mais pequena ou nos arredores de Londres mas não no centro. Djizazz. Desde que me mudei para aqui que admiro a coragem e audácia de quem dá ao pedal nesta selva que é o trânsito londrino. A única vez que andei de bicicleta aqui foi numa boris bike no The Mall (a estrada que conduz ao palácio de Buckingham) num domingo porque fecha ao trânsito! Sem ser assim, não veria forma de fazer tal coisa haha. E só eu sei a sorte que tive em não atropelar meia dúzia de turistas no Hyde Park. Mas isso não é culpa de ninguém, sou eu que sou desastrada. Mas já os ciclistas exemplares, eu espero que nunca arrumem as suas bicicletas. Com todo o investimento que está a ser feito, acredito que o número de ciclistas nas estradas continue a aumentar apesar das más notícias. E que assim seja, a gente cá arranja espaço para todos!


quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Mais uma meia dúzia de verdades directamente do Buzzfeed

http://www.buzzfeed.com/robinedds/moving-to-london-expectations-vs-reality


Não me importava nada de trabalhar para o Buzzfeed. Eu ia-me divertir a fazer estas coisas, e eles têm uma redacção em Londres. Nunca se sabe!



segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Objectividade ou um parafuso a menos na cabeça?

Dou por mim muitas vez a pensar se a vida não seria bem mais fácil se as pessoas admitissem o que querem, e falassem directamente. Preto no branco, sem joguinhos nem meias voltas. Nem meias verdades, nem ironias. Assim um dá cá, toma lá. Exemplos: "estou atraído(a) por ti!", "quero ser o melhor do meu bairro", "tenho herpes", "ressono", "só estou aqui porque estou interessado naquela pessoa", "o meu salário é X", "não sou capaz de fazer isto sozinho", "gosto de gordinhos(as)", "quero companhia", "quero estar sozinho", "o meu sonho é conhecer o José Cid", "detesto o lugar onde nasci", "nunca li Os Maias", "gosto de levar tau tau", etc. Podia arranjar melhores exemplos mas foi o que me veio à cabeça.
Não, isto não vem assim do nada. É que um amigo meu mostrou-me o outro dia umas mensagens que tinha trocado com uma amiga que está no Brasil:

"-oi!
-oie!
-como vão as coisas por aí?
-frias, e aí?
-calor...
-ushua
-quando vamos casar? estou farta dessa merda!"

Louca? Pergunto-me se não será mais sábio aquele que vai directo ao assunto. Podemos achar que a sabedoria está em pensar e analisar bem o que fazemos para evitar consequências, mas, quem põe logo à prova o que quer, evita perder tempo com ilusões, e ganha mais tempo para ir atrás do que realmente importa e pode alcançar. Quem sai do armário e admite o que é, evita cansar a mente com as mil maneiras de se camuflar, e liberta-a, podendo criar e aprender coisas verdadeiramente importantes. São os nha nha nhas que nos prendem. Claro que não quero com isto dizer que devíamos desatar todos por aí a fazer e dizer o que nos apetece. Há que conter a franga quando está em causa o bem-estar dos outros. Mas, bolas, uma ou duas queimadelas nunca mataram ninguém, e por vezes, para o nosso próprio bem, para podermos seguir em frente, e limpar a consciência, temos que saltar a fogueira. E é como dizem, nunca ninguém saiu desta vida vivo, portanto...
Penso que com a idade também vamos deixando de nos importar com merdices e depois de umas bofetadas bem dadas da vida, percebemos que tempos pouco a perder.
Eu não me comporto assim, mas tento. Sei que ainda estou muito presa dentro do armário no que concerne a várias coisas. Mas dia após dia faço qualquer coisa que ajuda a abrir a porta mais um bocadinho. E cada vez que deixo a porta abrir mais um pouco e a luz entrar, sinto-me melhor e gosto mais de mim. What I say is: todos nós queremos saber quem somos. The big question. QUEM SOU EU? To be or not to be? Nunca o vamos saber enfiados dentro de um armário às escuras.
Já o meu amigo é bastante directo no que toca a certas coisas. Por exemplo, é indivíduo para dizer logo a uma pessoa que está interessado nela e diz que já passou por maluco e desesperado por causa disso. Há sempre um preço a pagar, mas hey, passado duas semanas, quem se lembra? Nem nós. Porque depois da tempestade vem sempre a bonança. Mas oh, já estou para aqui a divagar... Será isto mais um nha nha nha? Um dia destes vou experimentar ser directa de manhã à noite. Porque não já amanhã? Se calhar não é o melhor dia, estou no trabalho, há muita gente... Pois. Falar é fácil mas a verdade é que a vida não é assim:


Mas bem que podia ser.


Relato da semana

Um post com detalhes extremamente íntimos e pessoais. Uuuuuuh. Medinho.

Segunda-feira:

Ronnie Scott's Jazz Club no Soho. Não há nada como ouvir jazz para nos deixar bem-dispostos. A minha amiga conhecia o pianista da banda residente por isso entrámos a preço de amigo. Ah, e o percussionista é um chavalo português. Se não cobrassem entrada todos os dias (sete libras) iria mais vezes.


Terça-feira:

  
 Como já contei aqui, fui ver o belo do jogo da selecção no bar sueco em que até a cerveja portuguesa tem direito a lugar de destaque. Hah!


Quarta-feira:

 
Também é preciso, embora ande outra vez com umas insóniazecas. E a quinta-feira é sempre um dia longo (trabalho+curso).


Quinta-feira:

 Depois dos afazeres, tempo para ir ver o segundo filme da saga Hunger Games, pelo qual esperámos mais de um ano, e pagar um balúrdio para ir ver no dia da estreia, só porque somos fãsérrimos e tal. Curiosidade: foi por estar a ler um livro da trilogia uma vez no café que comecei a falar com um rapaz que me viria a oferecer o trabalho (depois de passar duas entrevistas, claro, que isto não a junta de freguesia de cascos de rolha) onde estou agora e ser meu manager. Coisas da vida. Devia ter tirado uma foto da nossa histeria a correr para a sala do cinema. -.-'


Sexta-feira:

Uma das managers do meu antigo trabalho mudou de loja, juntei-me aos amigos e revi velhos colegas na farewell party. Estava exausta e sábado de manhã tinha que acordar cedo mas fiz o esforço pela grande consideração que tenho por ela. A única manager a quem chamava de "boss", a quem ainda chamo "boss" e acho que sempre chamarei. Porque liderar uma equipa não é para quem quer, é para quem sabe. 


Sábado:


 Depois de um dia bem movimentado no trabalho, a noite foi para relaxar, all by myself, e esta foi a escolha deste fim-de-semana, porque diz que é Natal. E que bom que estava.


Domingo:


E porque é que domingo é o meu dia preferido da semana? Quando se está com a família, é bonito, almoça-se bem e não se faz nenhum (para além de ir à missa). Quando se está sozinho, a gente empanturra-se e não faz nenhum (ao quadrado). Tento sempre fazer um brunch em condições e desta vez apeteciam-me crepes. Como não me lembrei que estava a fazer só para mim, passei o dia a comer crepes. Oh que sacrifício...

 Hoje:

 Fiz algo extremamente interessante depois do trabalho. Fui fazer as compras da semana ao Lidl. Vocês sabem que é sempre um grande desafio até para os mais audazes.



Deu-me gozo escrever este post. Tenho que fazer isto mais vezes.


quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Everyday decisions that twenty-somethings are really bad at

Tal e qual.

Bamos lá cambada!

Ontem acabei por ver o jogo, adivinhem lá onde?? Num bar sueco. Sim, mas eu fui parar lá sem saber. Isto porque ia ver o jogo com uma amiga sueca e mais um amigo português e a namorada dele, e tínhamos combinado no Carlsberg Bar do casino de Leicester Square, mas a minha amiga sugeriu ir ver o jogo ao The Pipeline, perto de Liverpool Street Station, porque um amigo dela ia lá ver o jogo. Tudo muito bem. Mas quando chego lá, buh surprise, a cave onde estavam a transmitr o jogo a abarrotar de vikings. Acabou por ser bem divertido ver o jogo assim. Quando o Cristiano marcou o primeiro golo, eu esqueci-me por momentos onde estava e comecei a gritar, o meu amigo ainda se conteve, então o meu grito foi a única coisa que se ouviu naquela sala subitamente silenciada. Do canto só ouvi um "Fuck off!", e depois de nos abraçarmos e festejarmos, eu e o meu amigo delicadamente pedimos desculpa aos vikings. O resto do jogo passámos na risada, já que a minha amiga que nem gosta de futebol, já estava a sofrer com aquilo, e eu a picá-la "we are so good, considering that is so unfair to play against people twice our height!" - "Bitch please! If Portugal wins, our friendship is over. I will never be able to look into your eyes again... that is how muuuuch I care about football!".

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

English idioms

Desde que estou no meu cursinho de Jornalismo em inglês que tenho aprendido bastantes expressões. Idiomas que são tão recorrentes no dia-a-dia e que muitas vezes nós deixamos passar ao lado quando só atentamos no vocabulário. Algumas delas eu já estava acostumada a ouvir, outras, se alguma vez ouvi, não percebi patavina do que aquilo queria dizer. Estas expressões e provérbios são tão importantes de saber como o vocabulário, pois tal como na língua portuguesa, em que os nossos "dizeres" são intrínsecos à nossa cultura e tão presentes nos nossos diálogos, o inglês não é excepção. Eles têm imensos. E nalguns não bate a bota com a perdigota, e o significado não é literal, por isso é sempre bom saber estas coisas.
Quem me conhece sabe que eu adoro provérbios e "frases feitas". A sério que adoro. Tenho sempre alguma relíquia de sabedoria popular como resposta para qualquer coisa. Os meus colegas já estão tão habituados a ouvir-me sair com um "there is this saying in Portugal..." que foi uma risada quando uma das minhas colegas inglesas se virou um dia para mim "Jesus, E.! How many sayings do you have in Portugal?!" E eu não consigo deixar de achar piada porque já em Portugal um dos meus melhores amigos me disse uma vez "Pareces a minha avó!" por causa das minhas estimadas filosofias populares. Sim, encarei isto como um grande elogio. Sim, continuamos amigos.

Ora aqui ficam algumas expressões inglesas:

"Practice makes perfect" - quem não conhece esta?
 "A bird in the hand is worth two in the bush" - tal e qual como em português!
"A rolling stone gathers no moss" - quem está sempre a saltar de um lado para o outro não cria raízes (pode ser positivou ou negativo).
"Every cloud has a silver lining" - Há sempre um lado positivo em tudo.
"Out of the frying pan and into the fire" - Ir de mal para pior.
"Horses for courses!" - cada um gosta de sua coisa, um pouco como o nosso o que seria do amarelo?
"Swings and roundabouts"- adoro esta! Significa as voltas que a vida dá. O que se perde num lado, ganha-se noutro. "What you lose on the swings, you gain on the roundabouts".
"Done on a shoe-string" - uma coisa feita à pressão.
"Keen as mustard" - estar entusiasmado com alguma coisa.
"Cold as a cucumber" - aquela pessoa a quem nada afecta.
"You have the gift of the gab!" - basicamente, bem aplicada a pol+iticos e arraçados, alguém que se safa na vida porque é bom falante.
"Piece of cake!" - Fácil...
"Kicked the bucket" - morreu, bateu a bota, também "popped the clogs" ou "pushed up the daisies". Oi?
"I'm in a rut" quando estamos naquela fase da vida que não estamos a ir a lugar nenhum e não sabemos o que fazer.
"I had to pay through the nose for it" - Custou-me os olhos da cara!
"He's hot under the collar" - tem um temperamento forte, hostil.
"Have kittens" - ter medo. Talvez porque os gatos são um bocado acagaçados.
"I'm a bit thin on top" - diz o homem que é careca. Adoro.
"The book is dog-eared" - quando um livro está velho e tem as pontinhas levantadas como orelhas de cão.
"Bit wet behind the ears" - ser ingénuo.
"Mutton dressed as lamb" - uma mulher mais velha que se veste como uma jovem. Tão má e tão machista.
"No spring chicken" - também chamam às mulheres mais velhas.
"The elephant in the room" - é aquele assunto em que toda gente tem na cabeça e ninguém quer falar.
"You're a sight for sore eyes!" - és uma alegria para a vista, pá!
"From the horse's mouth" - foi o próprio a dizer-me. Sim, eles têm uma panca com cavalos.
"Taken for a ride" - ser enganado. Ui que bailinho levaste!
"I've put my foot in it" - tem piada, este é o nosso pata na poça mas com menos estilo, ou "fiz merda".
"You could have knocked me down with a feather!" - Ficar chocado/surpreso com algo que se ouve.
"Over the moon" - esta também é conhecida. Estar extasiante de felicidade.
"I smell a rat" - desconfiar de algo. Aqui há gato.
"Talk shop" - falar de trabalho.
"Let's go dutch" - vamos dividir a conta.
"Empty vessels make the most sound" - quem não tem nada na cabeça é quem mais fala.
"As you sow, so you reap" - colhes o que semeias.
 "Once bitten, twice shy" - quando algo nos magoa, e passamos a ser extremamente cautelosos com tudo o que se assemelhe.
"Two wrongs don't make a right" - Se alguém se portou mal contigo, não é fazer-lhe o mesmo que vai resolver a questão.
"The grass is always greener on the other side of the fence" - A galinha da vozinha é sempre melhor que a minha.
"Handsome is as handsome does" - gestos bonitos é que tornam a pessoa bonita.
"Fish and guests smell after three days" - esta é qualquer coisa...
"Still waters run deep" - A calma e serenidade vão levar-te longe.

E pronto, por hoje fico-me por aqui que já chega de ensinamentos, o dia foi longo, amanhã é "another day, another pound" e vou deitar-me na cama que (não) fiz.



terça-feira, 12 de novembro de 2013

Countdown mode: ON

Hoje recebi o e-mail da Easyjet a lembrar-me que faltam seis semanas para o meu vôo. Made my day! Seis semaninhas para voltar a casa. Um mês e picos para o Natal.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Pensamentos de segunda-feira à noite

Tenho saudades de ver a bola. Muitas saudades de ver a bola.

Christmas time is here

No sábado depois do trabalho tinha ficado combinado de encontrar uns amigos e ir ver o light up das luzes de Natal na Regent Street (estavam lá as Spice Girls e mais não sei quem). Mas fomos para o café beber banana milkshake e conversa puxa conversa (entre muitos assuntos falámos sobre fantasmas, fezes e colegas de casa) acabámos por ficar lá até às sete.

Private joke acerca do housemate dos meus amigos espanhóis

Pensámos que já não íamos chegar a tempo de ver nada dos festejos quando saímos para a rua e ao atravessar o cruzamento da Oxford St com a Regent St, ouvimos o countdown, "right on time!" e ali ficámos a ver as luzes acenderem e o fogo de artifício (sim, mais fogos...).



Depois seguimos à procura de um outro sítio quente onde pudéssemos jantar, que isto de estar na rua já não se aguenta, o Inverno chegou em força esta semana. Mas pelo caminho, entrámos na loja da Disney para avivar ainda mais o espírito natalício.


Ora sendo um sábado, todos os pubs e pizzarias do centro estavam cheias de gente, e eu acabei por não ficar com eles para jantar já que tinha estado a trabalhar esse dia e estava exausta, mas eles foram a uma pizzaria italiana fora do centro.
Ontem fomos ao pub Hideaway, em Tufnell Park, perto de Camden Town, onde trabalha uma amiga minha. Era open mic night e nós (três raparigas e um rapaz com ar de tótós que estavam a pensar beber chá em vez de cerveja) fomos confundidos com uma banda por um dos moços que lá ia cantar essa noite. Teve a sua piada. Num domingo à noite, com o pub quase vazio, deu para relaxar, ouvir boas vozes e algumas boas canções originais e ver um comediante que não tinha piada nenhuma ou estava numa noite pouco inspirada. O momento mais alto da sua performance foi quando se vira para a minha amiga e diz "o dono do pub só te contratou porque te quer fazer bébés" ao que ela respondeu mandando-o para aquele sítio.
Hoje esteve a chover o dia todo, pois que aqui não é Dia de São Martinho para o sol brilhar no céu, e eu fiquei por casa a descansar com a minha caneca de chá e a ver o My Fair Lady, o filme de 1964 com a Audrey Hepburn. Nunca tinha visto e apesar de não ser fã de musicais, adorei, e surpreendentemente não me aborreci um instante ao longo das quase três horas de filme. Recomendo para uma tarde de chuva :)

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Íssimo, íssimo, íssimo.


Porque hoje não estou de palavras, ou porque as minhas palavras são vazias e em vão para ilustrar o meu espírito, ou talvez porque as palavras as minhas palavras são cheias, corpulentas, ruidosas, e falaciosamente preencheriam de côr o que não existe, prefiro usar as palavras do poeta. Porque este sempre foi um dos meus poemas favoritos. Porque Álvaro de Campos é uma das minhas "coisas" favoritas. Tenham um bom dia e bom fim-de-semana.

O que há em mim é sobretudo cansaço —
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas —
Essas e o que falta nelas eternamente —;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada —
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
Íssimo, íssimo, íssimo,
Cansaço...


Automat, Edward Hopper

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

E os foguetes não páram...

Mas será que esta gente não se cansa de gastar dinheiro em foguetes?
Pois bem, lá fui até Westminster Bridge com uns amigos. Vimos alguns fogos ao longe no Tamisa e fumo a sair das casas do parlamento. Ainda ponderámos se desta vez alguém tinha conseguido mesmo pôr aquilo a arder, mas depressa chegámos à conclusão que estava mas é a haver festa financiada pelos nossos impostos.
Houve duas manifestações contra o governo, uma na ponte, e outra em frente ao parlamento (que vinha a marchar desde Trafalgar Square), promovida pelo Annonymous UK e quase todos os manifestantes estavam a usar a máscara do Guy Fawkes (e a fumar substâncias) e nós lá nos enfiámos no meio deles um bocado a ouvir os gritos de revolução.

http://www.bbc.co.uk/news/uk-24826855

P.S. - O melhor das manifestações é a quantidade de polícias jeitosos nas ruas. Minha nossa.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Remember, remember, the 5th of November...

It's that time of the year. Fica tudo maluco e toca de andar a atirar foguetes por aí para celebrar o Bonfire. A noite do Bonfire é só amanhã mas na minha rua tem havido fogo-de-artifício caseiro (mas diga-se fora de casa) desde o último sábado. Depois amanhã começam os fogos organizados pelos boroughs e etc. Eu não sou dada a fogos-de-artifício, é bonito e tal, luzes no céu escuro, mas é só aquilo. On the other hand, gosto do carácter histórico que o Bonfire tem no Reino Unido, onde também é a Guy Fawkes Night. No ano passado fui vi os fogos aqui na zona de Southwark. Amanhã vou até à Westminster Bridge depois do trabalho ver se paira alguma coisa no céu, ou márcaras do V for Vendetta por aí.

A história do Bonfire Night muito sintetizada: Guy Fawkes foi um soldado inglês católico que fez parte do Gunpowder Plot, uma conspiração para matar o rei James I, protestante, e todos os membros do parlamento, através da implementação de explosivos na House of Lords (ali onde é o Big Ben) em 1605. Mas, alguém deu com a língua nos dentes, e traiu o camarada Guy. A versão conhecida é que  membros da conspiração avisaram vários amigos para não se aproximarem do parlamento nesse dia, e vai de boca em boca, isto chegou aos ouvidos do rei. O edifício foi revistado e o pobre do Guy que era especialista em explosivos e o eleito para detoná-los lá foi encontrado, preso e o plano revelado. Fawkes e outros três membros do Gunpowder Plot foram executados no dia 31 de Janeiro de 1606. Hoje ele é um dos maiores símbolos anárquicos.

A má língua do povo diz que Fawkes "foi o único homem a entrar no parlamento com intenções honestas". Uma ironia popular usada frequentemente, e diga-se de passagem, não está bem apanhada?
Da língua do povo veio também a famosa rima:

"Remember, remember, the 5th of November
The gunpowder, treason and plot;
I know of no reason, why the gunpowder treason
Should ever be forgot."


Vamos falar de livros

Um dos grandes objectivos da minha vida já foi ler todos os grandes clássicos da literatura. E digo foi, no passado, não porque já tenha conseguido este feito, mas porque me deixei disso. Cheguei à conclusão que precisaria de muito tempo e afinco e que há coisas que eu nunca vou gostar de ler e mais vale aproveitar o meu tempo com aquilo que quero e tenho gosto em ler, e não me tornar uma bookworm anti-social, pois como diz o Didi Fonfon (David Fonseca), "words cannot love".
Antes, quando começava um livro tinha que chegar ao fim, mesmo que desprezasse o livro, era uma obsessão que eu tinha, mas felizmente já ultrapassei. Já deixo livros a meio sem me doer a alma só porque meh. Há outros que tenho vontade de deixar mas sempre insisto mais um bocadinho, porque lá está, é um clássico (aconteceu-me recentemente com o Pride and Prejudice). E falo nisto porque hoje vi a lista que anda a circular por aí dos "100 livros para ler antes de morrer", que me fez lembrar da quantidade de livros que eu ainda quero ler (embora já tenha lido alguns da lista e outros serem dispensáveis). E há que aproveitar o Inverno para pôr a leitura em dia. Amanhã já dou um salto à biblioteca.
Não, eu ainda não tenho um kindle apesar de toda a gente me dizer que eu devia comprar um.

100 books to read before you die

1 Pride and Prejudice - Jane Austen
2 The Lord of the Rings - JRR Tolkien
3 Jane Eyre - Charlotte Bronte
4 Harry Potter series - JK Rowling
5 To Kill a Mockingbird - Harper Lee
6 The Bible
7 Wuthering Heights - Emily Bronte
8 Nineteen Eighty Four - George Orwell
9 His Dark Materials - Philip Pullman
10 Great Expectations - Charles Dickens
11 Little Women - Louisa M Alcott
12 Tess of the D’Urbervilles - Thomas Hardy
13 Catch 22 - Joseph Heller
14 Complete Works of Shakespeare
15 Rebecca - Daphne Du Maurier
16 The Hobbit - JRR Tolkien
17 Birdsong - Sebastian Faulk
18 Catcher in the Rye - JD Salinger
19 The Time Traveler’s Wife - Audrey Niffenegger
20 Middlemarch - George Eliot
21 Gone With The Wind - Margaret Mitchell
22 The Great Gatsby - F Scott Fitzgerald
24 War and Peace - Leo Tolstoy
25 The Hitch Hiker’s Guide to the Galaxy - Douglas Adams
27 Crime and Punishment - Fyodor Dostoyevsky
28 Grapes of Wrath - John Steinbeck
29 Alice in Wonderland - Lewis Carroll
30 The Wind in the Willows - Kenneth Grahame
31 Anna Karenina - Leo Tolstoy
32 David Copperfield - Charles Dickens
33 Chronicles of Narnia - CS Lewis
34 Emma -Jane Austen
35 Persuasion - Jane Austen
36 The Lion, The Witch and the Wardrobe - CS Lewis
37 The Kite Runner - Khaled Hosseini
38 Captain Corelli’s Mandolin - Louis De Bernieres
39 Memoirs of a Geisha - Arthur Golden
40 Winnie the Pooh - A.A. Milne
41 Animal Farm - George Orwell
42 The Da Vinci Code - Dan Brown
43 One Hundred Years of Solitude - Gabriel Garcia Marquez
44 A Prayer for Owen Meaney - John Irving
45 The Woman in White - Wilkie Collins
46 Anne of Green Gables - LM Montgomery
47 Far From The Madding Crowd - Thomas Hardy
48 The Handmaid’s Tale - Margaret Atwood
49 Lord of the Flies - William Golding
50 Atonement - Ian McEwan
51 Life of Pi - Yann Martel
52 Dune - Frank Herbert
53 Cold Comfort Farm - Stella Gibbons
54 Sense and Sensibility - Jane Austen
55 A Suitable Boy - Vikram Seth
56 The Shadow of the Wind - Carlos Ruiz Zafon
57 A Tale Of Two Cities - Charles Dickens
58 Brave New World - Aldous Huxley
59 The Curious Incident of the Dog in the Night-time - Mark Haddon
60 Love In The Time Of Cholera - Gabriel Garcia Marquez
61 Of Mice and Men - John Steinbeck
62 Lolita - Vladimir Nabokov
63 The Secret History - Donna Tartt
64 The Lovely Bones - Alice Sebold
65 Count of Monte Cristo - Alexandre Dumas
66 On The Road - Jack Kerouac
67 Jude the Obscure - Thomas Hardy
68 Bridget Jones’s Diary - Helen Fielding
69 Midnight’s Children - Salman Rushdie
70 Moby Dick - Herman Melville 
71 Oliver Twist - Charles Dickens
72 Dracula - Bram Stoker
73 The Secret Garden - Frances Hodgson Burnett
74 Notes From A Small Island - Bill Bryson
75 Ulysses - James Joyce
76 The Inferno - Dante
77 Swallows and Amazons - Arthur Ransome
78 Germinal - Emile Zola
79 Vanity Fair - William Makepeace Thackeray
80 Possession - AS Byatt
81 A Christmas Carol - Charles Dickens
82 Cloud Atlas - David Mitchell
83 The Color Purple - Alice Walker
84 The Remains of the Day - Kazuo Ishiguro
85 Madame Bovary - Gustave Flaubert
86 A Fine Balance - Rohinton Mistry
87 Charlotte’s Web - E.B. White
88 The Five People You Meet In Heaven - Mitch Albom
89 Adventures of Sherlock Holmes - Sir Arthur Conan Doyle
90 The Faraway Tree Collection - Enid Blyton
91 Heart of Darkness - Joseph Conrad
92 The Little Prince - Antoine De Saint-Exupery
93 The Wasp Factory - Iain Banks
94 Watership Down - Richard Adams
95 A Confederacy of Dunces - John Kennedy Toole
96 A Town Like Alice - Nevil Shute
97 The Three Musketeers - Alexandre Dumas
98 Hamlet - William Shakespeare
99 Charlie and the Chocolate Factory - Roald Dahl
100 Les Miserables - Victor Hugo 

E depois do adeus


Já perdi a conta a quantas pessoas eu já tive que dizer adeus em apenas dois anos de Londres.
Muitas vezes foi apenas um adeus cordial do "foi um gosto conhecer-te e desejo o melhor na tua vida", mas outras vezes.. foi um adeus sentido.
O adeus com a tristeza de pensar que aquela é provavelmente a última vez que vamos ver aquele amigo. Porque optimistas como sejamos, sabemos bem que a vida continua e não é fácil rever fisicamente quem vive noutra ponta do mundo. É o preço de morar numa grande metrópole. Há sempre gente a chegar mas há sempre gente a partir.
Agora tenho amigos aqui e ali, gente com quem vivi momentos marcantes, partilhei sonhos e receios, tive conversas mirabulantes e fui feliz. Depois do adeus ficam as memórias e a certeza que estes amigos também se vão lembrar de mim. E sou feliz por isso.
Feliz por ter pedacinhos de mim por aí espalhados...na Europa, no Canadá, no Brasil, no Dubai, na Austrália...e hoje foi lá foi outro pedacinho de mim para o México. Parece-me que estou a arranjar uma boa razão para uma volta ao mundo, quiçá.

Dublin

Aqui há umas duas semanas fui a Dublin. Para quem não sabe eu podia ser irlandesa. A minha cor favorita é o verde e a minha comida favorita é a cerveja. E a Irlanda é terra de escritores e gente jocosa. Parecem-me motivos suficientes para a naturalização.


Reparem como brilham os olhos de uma criança com uma guloseima nas mãos

Na biblioteca do Trinity College. Dizem que a biblioteca Jedi do Star Wars foi copiada daqui.

Na Guiness Storehouse


A vista para a fábrica

A vista do Gravity Bar, no último andar da Storehouse


A casa onde nasceu Jonathan Swift (As viagens de Gulliver)

Jolly and her tea!

Ha Penny Bridge, ponte pedonal, marco da cidade, linda que só ela!


O rio Liffey e o Four Courts no lado de lá






Catedral de St.Patrick

Catedral de Christ Church

"Gente de Dublin". Infelizmente não tirei foto com a estátua do James Joyce (mas tenho uma foto com ele na Croácia!)

Custom House


A ponte que parece uma harpa e Samuel Beckett é o seu nome, já o prédio inclinado não sei o que é mas fica ali mesmo bem

E mais que tive sorte com o tempo. Por lá também está sempre a chover (e choveu) mas saíram estes raios de sol, o que deu para caminhar e tirar estas fotos. Ah, e vi um arco-íris. Há muito tempo que não via nenhum. O arco-íris irlandês é que deve ter mesmo um leprechaun com um pote de ouro ao fundo! E sim, eu imaginei isso enquanto estava a olhar para ele. Um anão ruivo e bêbedo à minha espera.

domingo, 3 de novembro de 2013

Atenção: o post que se segue é de cariz consumista e superficial

Comprar sapatos no UK é para mim um verdadeiro pesadelo. Por vários motivos. O primeiro é que acho quase tudo feio, e este até é um ponto positivo porque nas sapatarias portuguesas perco-me e acabo sempre por comprar só porque acho giro e usar aí umas duas, três vezes. Eu realmente não sou muito "fashionable" (não sei se eu acabei de inventar esta palavra ou alguém usou antes, em qualquer caso não clamo direitos), ou se calhar sou mas num jeito muito oposto à moda londrina. Quero dizer, a moda londrina deve ser a mais democrática que há. Por aqui podemos sair à rua com qualquer coisa e ninguém nos dá um olhar maquiavélico ou de gozo. Pelo contrário, quanto mais espampanante, mais cool. Por todo o lado há sempre aquela rapariga vestida à anos 50, a cinquentona power flower, o rapazito vestido e penteado à Sid Vicious, a gótica, o rockabilly, o camponês de classe média alta, o pobre indivíduo saudoso dos anos 80, etc... Mas pronto, o mundo do retalho obedece a certas tendências, e as tendências do calçado por cá não me tiram o fôlego. É que eu acho tudo muito "edgy", e eu sou uma pessoa assim mais para o casual/clássico/prático/simples/feminino/boring.
Segundo motivo: os tamanhos! É que eu sou um 38 a puxar para o 39. Ou seja, dependendo do calçado sou um ou o outro tamanho. Em Portugal nunca me lembro de ter problemas, a diferença é pouca e um dos dois fica-me sempre bem. Aqui, o size 5 (38) é pequeno e o size 6 (39) fica-me a boiar. A coisa boa é que nalgumas lojas têm o size 5 & 1/2, mas nem sempre. Terceiro motivo: "ooooh olhas estas botas aqui tão fofas, mas têm salto...esquece lá isso!", pois eu já não sou muito de andar de saltos mas mesmo disposta a fazer um esforço, em Londres nem pensar! Mas o que não falta por cá é calçado com salto, até demasiaaaado salto, já que as inglesas adoram aqueles sapatos com plataforma de 20 cm (nem sei se estou a exagerar), chiça penico, e elas usam aquilo para sair à noite contando que ficam muito sexys embora apenas pareçam alguém com uma grave deficiência motora ao andar. Mas depois embebedam-se e andam descalças pela rua e então fica tudo bem.
O último motivo: a qualidade aqui paga-se caro. Ah pois é! E aí valorizo tanto poder comprar calçado bom, português, a um bom preço. Pois se não querem comprar Made in China, têm que abrir a carteira. Calçado bom e que dure é muito caro.
E isto vem a propósito de quê? É que esta semana tive mais uma de muitas desventuras a comprar calçado, e acabei por ser uma daquelas clientes chatas (como ainda me dói a alma) e pedi dois refunds no mesmo dia. E estou frustrada por isso. E agora estou ainda mais frustrada porque não me lembro como se diz refunds em português, odeio quando isto acontece... Retorno? Devolver, pedir o dinheiro de volta? Anyway, em Portugal não é uma prática tão comum como cá em que o cliente é rei e se quiser até pode devolver um par de cuecas. Enfim. Eu jurei ao rapaz da caixa que não era maluca da cabeça, embora eu ache que devo estar um bocado.

Razão da minha breve ausência

É o costume. Quando há tempo, não há inspiração. Quando há inspiração, não há tempo. Neste caso é a última. Tanta coisa eu quero escrever, pensamentos que preciso de soltar para o infinito desta blogosfera. Até já.