sexta-feira, 9 de junho de 2017

Junho e os outros



O mês de Junho é um dos meus favoritos. Os outros são Setembro e Dezembro. Os três por razões diferentes. Junho representa o meu lado divertido; Setembro, entre várias outras coisas, o meu lado produtivo, e Dezembro é o meu lado familiar.
Desde pequena que a chegada do mês de Junho desperta em mim uma vontade de devorar (a vida) os dias longos que o caracterizam.  Nos tempos de juventude, era o final do ano lectivo, com o atirar dos cadernos e livros para trás das costas, no sentido figurativo, porque apenas os arrumava na estante; se bem que sou capaz de ter rasgado e maltratado um ou dois cadernos em momentos de celebração e euforia misturadas com raiva e revolta. Uma sensação de nos desprendermos de um peso e poder abraçar a vida sem obrigações. Ora aí vem um Verão inteirinho sem nada para fazer, tantas possibilidades, vou voltar outra pessoa no próximo ano... 
Hoje em dia, já não passo por esse ritual, mas não deixo de gostar do mês de Junho da mesma forma, ou talvez, cada vez mais.
Para começar, há milhentas coisas a acontecer. Há sempre uma razão para sair de casa. Há mais eventos culturais, e claro, muitas festinhas e festões. Celebra-se o nosso país. Os santos populares abençoam o mês em que os amigos parecem querer conviver mais. Não faltam jantaradas e patuscadas. Há finos e caracóis, e eu até ficava feliz só com isto.
Mas, e as esplanadas... Invariavelmente, vou mais ao café durante o Verão, por poder estar na esplanada com a brisa ou o sol a bater-me na cara e não num ambiente fechado e cheio de fumo. Como digo, o meu mês mais sociável. E como é o primeiro mês do Verão, há esta grande vontade de sair à rua, ainda com a energia toda que foi acumulada durante o Inverno, e que está pronta para ser gasta em caminhadas, e braçadas, e alvoradas.
Alô, a descomplicação de sair à rua com uma t-shirt e calções de ganga.
Junho ainda só começou há uma semana, e eu sinto que já vivi mais durante estes dias do que nos primeiros dois meses do ano.
Estão a ver, outros meses? Aprendam, que Junho não dura sempre.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Putos

O post que fiz ontem ia enquadrar-se perfeitamente no dia de hoje. Feliz dia da Criança!
Eu cá, fui criança (de idade) nos anos 90. Comi petazetas e push-pops, vi filmes da Disney e o Bué Ré Ré. Levantei-me da cama às escondidas para ver Ficheiros Secretos. Comi gelados como os pézinhos, o upa upa e o magnum cone. Comi pastilhas gorilla e coleccionei tazos e autocolantes das Spice Girls. Comprei os livros dos Arrepios e a revista Super Pop. Li Os Cinco e Uma Aventura. Brinquei com Playmobil, iô-iôs e aquela mola em espiral colorida que não me lembra o nome. Joguei gameboy e sega. Gravei músicas que passavam na rádio em cassetes. Brinquei MUITO na rua, e consequentemente, esfolei os joelhos muitas vezes. Na minha casa, não existiram brinquedos tecnológicos até 1999, quando os meus pais compraram um computador. Mas ainda passei algum tempo da minha infância com as novas tecnologias, basicamente a jogar solitário e a fazer desenhos no paint. Depois chegou a internet da Clix, e aquele barulhinho da ligação. E ter que desligar o telefone para ligar a internet. E os sermões da minha mãe por causa disso.
Gostava de voltar a viver um dia nos anos 90, mas como dizemos por cá, "nunca voltes ao lugar onde foste feliz".

quarta-feira, 31 de maio de 2017

O Facebook lembrou-me que sou uma pessoa mais saudável

Isto faz parte das minhas memórias de há quatro anos:


The shame! The shame!
Isto foi uma das muitas "festas privadas" que eu e a minha amiga fazíamos em nossa casa, em Londres. Sim, aquilo tudo é para duas pessoas. Chamemos-lhe sonho americano.
Ahh! Como as coisas mudam, dos vintes para os quase-intas.
Vamos lá ver o que mudou:

- Raramente como processados;
- Não gosto de gelados (estes) como gostava antigamente;
- Nunca fui fumadora mas nesta altura era capaz de fumar um cigarro socialmente, agora zero tolerância a tabaco;
- Não como batatas de pacote;
- Basicamente deixei de comer porcaria;
- Não me lembro de quanto pesava nesta altura mas é possível/provável que esteja mais magra;
- Esta comida hoje em dia causa-me um certo asco.

O que não mudou:

- Continuo a beber álcool mas raramente bebo essas cidras cheias de açúcar;
- Continuo a comer pizzas congeladas, muito de vez em quando;
- Continuo a comer amendoins, mas aqueles com casca e sem sal;
- Continuo a gostar de fazer coisas parvas, mas de uma forma mais saudável.

Atenção, eu não sou uma pessoa com a mania das comidas saudáveis. Como de tudo praticamente. Não dispenso a minha barra de chocolate preto, nem os pastéis de nata, para não falar no salpicão e no queijo, mas já falei... Simplesmente desabituei-me de comer porcarias, ao ponto de já nem as desejar comer. Conclusão: Progresso. 


sábado, 27 de maio de 2017

Sim, o meu hobby é escrever

Tenho uma pergunta um pouco em jeito de reflexão a fazer-vos.
Vós, meus caros, que tendes como passatempo escrever blogues, artigos, crónicas, ficção, poesia, etc.., sem receber um chavelho por isso, não sentis por acaso que assustais os demais que não têm a mesma paixão?
Pergunto isto porque, sempre que vêm à conversa as paixões que se alimentam nos tempos livres ou a veia artística de cada um, e eu digo que a minha é a escrita, por entre alguns aww de admiração, do jeito "oh que fofo", também recebo olhares de "não deves bater muito bem dessa cabeça então".
Mas vá, nos dias de hoje, até se entende. Com endezes literários como o Raúl sua alma e o Afonso não sei das quantas a proliferar nas redes sociais, é normal que as pessoas sejam tão cépticas com quem se lembra de escrever nos tempos livres. Não me culpem pela minha falta de astúcia para outras coisas.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

A criatura já me pôs de lágrimas nos olhos

Finalmente conheço essa sensação... a felicidade inexplicável que é uma pessoa que se ama estar à espera de um filho. E já amo aquela criança.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Salvador e Luísa

Aposto que o que aconteceu na passada terça-feira em muitas casas por essa Europa e mundo fora, foi o mesmo que aconteceu na minha casa aquando da primeira semi-final do Festival da Canção em Fevereiro. Durante a emissão, uma barulheira de queixas e lamúrias porque nenhuma canção prestava, falámos e barafustámos durante todas as prestações até que chegou o Salvador Sobral, "olha o gajo dos Ídolos, está tão diferente!" disse eu. "Não me lembro dele!" vira-se o meu irmão.
A música começou e nós "Oh não, mais uma balada!!" e depois o Salvador começa a cantar...
E ficámos hipnotizados a olhar para a televisão durante aqueles minutos, em silêncio, incrédulos... Quando terminou, o meu irmão foi o primeiro a pronunciar-se "esta é muito boa!". Desde aí que apoio a canção. Estava em Nova Iorque quando foi a final do Festival, e aquele domingo eu e a minha amiga passámos o dia a cantar a música dele, esperando que no fim do dia, quando chegássemos ao hotel, tivéssemos a boa notícia que tinha sido ele o escolhido para representar Portugal. Escusado dizer que ficámos muito felizes essa noite. Eu sempre disse que mesmo que ficasse em último dos últimos, era a canção que melhor nos representava. Eu concordo com a posição vincada da RTP em mandar canções em Português, e apesar de não concordar com escolhas recentes, este ano tiro o meu chapéu aos jurados que defenderam esta música com tanta convicção. Eles merecem tudo o que está a acontecer. Nós, Portugal, merecemos. A vitória é muito difícil, devido à geopolítica, toda a gente o sabe. Mas que interessa?
O Salvadorable e a irmã já ganharam, Portugal já ganhou, a Europa já ganhou.
Let there be jazz!

sábado, 6 de maio de 2017

O efeito "13 Reasons Why"

Depois de ter acabado de ver a série esta semana, e de verificar que está a ser tão falada nas redes sociais e afins, também eu quero, já agora, dar a minha curta e singela opinião.
Nos últimos dias, tem-se falado muito sobre o suicídio na adolescência,  devido ao infame jogo da baleia, mas também por causa desta série que aborda essa temática.
"13 Reasons Why" é basicamente sobre as experiências negativas de uma adolescente na escola secundária. Experiências essas retratadas num testemunho que a própria gravou antes de cometer suicídio.
Há quem aconselhe que os jovens não deviam ver a série, e há quem diga que não há risco nenhum. O risco que aqui é temido, é que muitos jovens que estejam a passar pelas mesmas situações queiram seguir o exemplo da protagonista da série. Mas há quem defenda que os adolescentes devem assistir, pela forma como a série alerta para questões como o bullying, o sexismo e o abuso sexual.
Eu sou da opinião que a série, apesar de não a achar nada de espectacular, deve ser vista sim, para que os adolescentes possam encarar as consequências dos seus actos. Se vai mudar alguma coisa na cabeça desses jovens? Muito pouco. Os bullies vão ser sempre bullies. Crianças com falta de empatia vão ser sempre adolescentes cruéis. Pode talvez, em conjunto com todas as campanhas de prevenção que se têm feito, mudar os pensamentos dos adolescentes bystanders, aqueles que não agem mal, mas também não reagem quando vêem o mal a ser feito. E esses são os que podem fazer toda a diferença. Mas também sou da opinião de que ver a série, pode afectar os jovens que estejam fragilizados psicologicamente, isto porque de uma certa forma, a história romantiza a depressão e o suicídio. Uma ideia completamente errada na nossa sociedade, criada em muito pela literatura, cinema e media, e que a OMS está a tentar combater.
Depois para quem assistiu à série, há outro debate sobre se a protagonista tinha mesmo motivos para se matar ou não. Mas isso é já um assunto muito complexo, e que envolve spoilers.
Mas ao ver a série, a coisa que a mim me causou mais impressão, mesmo!, foi a falta de diálogo dos pais com os seus filhos adolescentes. A sério, que nervos. Conseguem ver que os filhos não estão bem mas contentam-se com respostas curtas e mal dadas, e não assumem nenhum controlo sobre as acções dos filhos, que são ainda menores de idade. E parece-me que esta tónica foi dada à série por algum motivo.

Pronto, e para mim acabaram-se as séries até ao regresso de Orange is The New Black e Game of Thrones.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Vá lá que não me deu para calçar sandálias

Uma pessoa (eu), confia nas previsões metereológicas e no calor que se faz sentir às oito da manhã, e sai de casa toda veraneante, de camisa fina e manga curta, para ter que voltar a casa na hora do almoço a buscar um casaco. Porque a temperatura em vez de subir ao longo da manhã, desceu aí uns dez graus. Ok, eu também ainda não tenho assim tanta vontade ao verão. Joke's on you, weather.
Tenho a impressão que este mês de Maio vai ser bipolar no que toca ao tempo.

sábado, 29 de abril de 2017

Girls - Um último episódio muito pouco convencional

     Lena Dunham, a criadora, argumentista e protagonista da série da HBO, "Girls", já há muito nos habituou ao seu modo de fazer as coisas sem ligar muito, ou até mesmo, desafiando as convenções. Quem acompanhou a série ao longos destes últimos seis anos, ou quem tenha visto filmes como "Tiny Furniture", ou até lido a sua autobiografia "Not That Kind Of Girl", sabe que esta talentosa e criativa norte-americana, para além de muito pêlo na venta, tem uma visão multi-dimensional e desinibida da vida, da arte e da maneira de contar estórias. 
    Na série que acompanha a jornada de crescimento e descoberta de quatro raparigas (e mais alguns rapazes) na casa dos vinte em Nova Iorque, e que chegou ao fim este mês de Abril, a autora construiu um caos organizado à volta de cada personagem, que nos levou até a acreditar, a um certo ponto, que estas mesmas estavam a desenvolver-se e a adquirir uma determinada direcção nas suas vidas. Mas Lena é uma promíscua amante da realidade. 
    Durante seis anos, vimos várias personagens a crescer e decrescer, a atingir objectivos e a deitar tudo por terra. Difícil não nos espelharmos em algumas situações. Afinal, a vida tal como ela é, não tem um final feliz. Pode haver uma dia em que fica tudo bem, mas logo vem o dia em que as coisas deixam de estar bem outra vez e tudo se transforma numa constante luta e superação de desafios. Convenhamos, seria aborrecido de outro jeito. E a vida é assim, bonita, tal como ela é. Com todos os seus defeitos e a nossa dificuldade em encará-la, como a nudez de Lena no ecrã. 


Aviso: Os seguintes parágrafos contêm spoilers.

    Mas falando estão da series finale. A última temporada teve como grande centro da trama, a gravidez da personagem Hannah. Não me surpreendeu nada que Lena Dunham quisesse acabar a série com a temática da maternidade. Momento cusquice: Quem sabe um pouco sobre a vida real desta feminista acérrima, sabe que o seu maior sonho é ser mãe, e que até tem enfrentado alguns problemas de saúde que podem afectar a sua fertilidade. Mas a personagem que encarna não tem o mesmo inconveniente e acabou até por ter uma gravidez não planeada. 
    E é assim que vemos Hannah, a personagem que parecia que nunca ia endireitar, assumir aquela que é talvez a maior das responsabilidades que um ser humano pode ter, e aceitar o que a vida lhe tinha trazido. A personagem mais caótica da série, foi nesta última temporada, a mais serena. Se é possível que tenha mesmo crescido como personagem, acredito que sim, mesmo que no último episódio ainda a tenhamos visto a andar em cuecas no meio da rua. Lena Dunham não queria deixar de nos dar uma última cena à la Hannah
    Outra personagem em que também já tínhamos perdido a fé, era em Marnie, uma controladora que não conseguia tomar as rédeas da sua vida. Mas a atitude de protecção que ela tomou em relação a Hannah e ao seu afilhado, embora como uma forma de fugir da sua própria vida, foi sem dúvida a atitude mais madura e altruísta que teve durante toda a série. Apesar de egocêntrica, como Hannah, Marnie sempre quis apenas que estivesse tudo bem. 
    Jessa acabou como começou, talvez um pouco mais madura também.  E o mesmo aconteceu com Shoshanna, que sempre teve um sentido prático muito apurado, mostrando-o bem na sua última cena. Porém, o final destas personagens foi muito pouco desenvolvido. Propositadamente. O objectivo foi não dar um final às personagens, mas deixar tudo em aberto. Muitas mais lutas estarão para vir.
    No último episódio, apenas Hannah e Marnie aparecem. O “final” como grupo acontece no penúltimo episódio. E é por isso que muitos dizem que o penúltimo espisódio é na verdade o último, e eu concordo, e digo mais, o último episódio é, na verdade, um epílogo. O que não costuma acontecer nas séries. Mais uma vez, Lena Dunham a trocar-nos as voltas.
    Como grupo de amigos, as coisas acabam de uma forma bem real. Cada um segue o seu caminho. Há um elemento que corta inteiramente a ligação, outro que se vai desligando naturalmente, outro que fica sempre mais próximo, e outro que se muda de cidade. Mas o grupo, em si, deixa de existir. Deixa de fazer sentido. Não quer dizer que aquelas pessoas percam a importância que tiveram e terão na vida umas das outras (como nos mostra a nostalgia daquela última cena), mas seguem agora caminhos bem diferentes. Tornaram-se finalmente adultas.
    Foi uma bela, divertida e desafiante caminhada, Lena Dunham, muito obrigada.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Não vale a pena, eles vão dizer sempre que somos criaturas estranhas


    Vivemos num mundo que, em muitas religiões e culturas, se faz dos homens santos e das mulheres pecadoras. Atentem em figuras como Afrodite e Pandora. A primeira, uma devassa, a representar a mulher como a perdição dos homens, como o elemento sedutor e manipulador. A segunda, uma cusca, uma fraca que representa esta mania que as mulheres têm de meter o bedelho onde não são chamadas, irra. Não há deuses masculinos que sejam assim. Apolo não tinha culpa de ser todo bonzão, e por isso representa coisas de maior importância. O Baco não era nada saloio, era um bon vivant, aquele nome giro que se dá aos homens que basicamente, são uns rameiros. E o Prometeu que traiu os deuses quando deu o fogo aos mortais? Um herói da humanidade. Fraco? Mesquinho? Nah.
    Enfim, deuses ou mortais, os homens são uns mestres a usar psicologia inversa.
Aconteceu-me no outro dia um episódio que me fez pensar muito nesta mania que os alguns homens têm de fingir que fazem as coisas sem intenção e que a maldade está na cabeça das mulheres.
    Ora, ajudei um rapazito a fazer o currículo em Inglês. Quando lá estava eu praticamente a fazer o currículo por ele, o senhoranço estava mais interessado em perguntar-me, entre outras coisas, se tinha namorado. E eu disse que não. Disse que não porque não tenho mesmo, e não porque estou interessada no tal rapaz, se bem que até podia estar. Já algumas vezes menti para me escapar de um ou outro chato, mas desta vez, pensei cá para mim, porque hei-de eu mentir? Porque não posso eu dizer que sou solteira sem medo de ser assediada? Porque é que alguns homens, quando a mulher é solteira, pensam automaticamente que ela precisa ou quer qualquer homem que lhe apareça à frente?
Bom, não quero ser mal interpretada. Não há mal nenhum em ele perguntar isso, ou mesmo no que fez a seguir, ou até se me tivesse convidado para um copo. Eu gosto de pessoas directas. E também não há mal nenhum em dizer que sim ou não a um convite, mesmo que venha de uma pessoa praticamente desconhecida.
    Mas voltando à historieta.
    Já quando estávamos a acabar ele agarra no telefone e procura o meu nome no facebook e pergunta se eu sou aquela que aparece ali na procura, e eu lá digo que sim, e aceito o pedido de amizade dele. Durante a conversa não fiz ou disse nada que lhe tivesse indicado algum interesse da minha parte, mas mesmo assim quando cheguei a casa, tinha uma mensagem dele a dizer "és gira". Sim, pura e simplesmente isto. (Um aparte, onde é que um gajo espera chegar com um "és gira", é o flirt mais preguiçoso de sempre. É atirar a rede mais barata a ver se cai algum peixe.)
    Mas chegando agora finalmente ao motivo da minha indignação. Como eu não quero nada com ele e não gosto nada de andar a empatar as pessoas, respondi-lhe àquela espécie de mensagem da seguinte forma: "Olha, eu não estou interessada em nada, ok? Ajudei por cordialidade. Só para que não haja mal-entendidos!" Tau. Nem agradeci o elogio porque ainda ia dar azo a mais confianças. Depois foi ver a incredulidade com que ele reagiu à minha resposta: "Wtf? E eu disse alguma coisa? Só disse que eras gira". Um fofo então e eu devia era levantar as mãos ao céu e agradecer por ter recebido um elogio de um homem. Até porque um rapaz dá-se ao trabalho de dizer isto a uma rapariga só para ela ter conhecimento de que de facto, sim senhor, não é feia. É tipo como um carimbo do passaporte. Ora toma e vai lá à tua vida. 
    Com ele a armar-se em beato, eu decidi não dar importância e nem sequer contrapor o que ele disse. Respondi com um breve "pronto então". E ele continuou "não percebi muito bem a tua questão mas não interessa". Ui! O menino acha que eu lhe estou a dar jogo? Não, meu caro. "Está esclarecido", respondi eu, e a conversa acabou ali. 
    Digam-me agora, fui eu que interpretei mal? Fui/sou uma convencida, exagerada e mal-agradecida? Valha-se-me, se assim é, vou continuar a ser.